A sã loucura

Hoje falaremos sobre A forma da água de Guillermo del Toro e Daniel Kraus. O livro que leva o mesmo nome do ganhador do Oscar 2018 de Melhor filme nos conta a história de cinco personagens. Strickland, Elisa, Giles, Lainie e Zelda. Cada personagem tem sua peculiaridade, sua personalidade e, principalmente, sua história.

Mas quero falar sobre Richard Strickland. Um oficial do governo dos Estados Unidos enviado à Amazônia para capturar um ser mítico e misterioso cujos poderes inimagináveis seriam utilizados para aumentar a potência militar do país, em plena Guerra Fria. Dezessete meses depois, o homem enfim retorna à pátria, levando consigo o Brânquia, o deus de guelras, um homem-peixe que representa para Strickland a selvageria, a insipidez, o calor — o homem que ele próprio se tornou, e quem detesta ser.

Strickland me lembra Nabucodonosor. Assim como o rei da Babilônia, Strickland quer ser um deus, temido e adorado por todos. E, assim como Nabucodonosor, sua ganância e prepotência o leva a loucura.

“E serás tirado dentre os homens, e a tua morada será com os animais do campo; far-te-ão comer erva como os bois, e passar-se-ão sete tempos sobre ti, até que conheças que o Altíssimo domina sobre o reino dos homens, e o dá a quem quer.

Na mesma hora se cumpriu a palavra sobre Nabucodonosor, e foi tirado dentre os homens, e comia erva como os bois, e o seu corpo foi molhado do orvalho do céu, até que lhe cresceu pêlo, como as penas da águia, e as suas unhas como as das aves.” — Daniel 4.32-33

Esses dois homens, um fictício e outro real, são personagens que nos fazem refletir sobre como o homem quer ser maior que Deus! Cada um, com seus planos, metas e medos, quer ser lembrado como um homem notável. Querem ser lembrados como pessoas que fizeram o que mais ninguém teve coragem de fazer. Strickland ao capturar o deus Brânquia e Nabucodonosor ao querer ser o maior rei de toda a Terra. Temos que ler com atenção a história desses dois homens. A inteligência de cada um os levou a posições invejáveis. Os tornou pequenos deuses, mas principalmente, fez com que sua humanidade fosse perdida. O poder dado a eles fez com que a solidão e o desespero surgissem e, apesar das conquistas humanas, acabaram perdendo suas almas!

Pois, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? — Marcos 8.36

Carol

One thought on “A sã loucura

  • 7 de maio de 2018 at 21h08
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    Interessante o link sobre os dois personagens. Indispensável discussão sobre o que o homem constrói e o que é capaz de investir nesta construção. A busca do estremo sucesso não parece ser construído sem consequência principalmente dos laços que os fortalecidos pela fé podem se desvencilhar. Todo cuidado é pouco.

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