Kit de junho de 2018

O peixe grande

Mark Carpenter
Mark Carpenter

Mark Carpenter nasceu nos EUA, mas aos três anos veio para o Brasil de navio com seus pais, que eram missionários, e seu irmão caçula. Durante o primeiro ano no Brasil, morou em Campinas, interior de São Paulo, para que sua família aprendesse a língua portuguesa. Nessa mesma época, sua mãe deu à luz a gêmeos. Mark relembra essa época e diz: “Era uma loucura, meus pais tinham quatro filhos com menos de quatro anos”. Após aprenderem o idioma, se mudaram para Maringá, no norte do Paraná, onde seu pai trabalhou como reitor em um Instituto Bíblico e como pastor local em uma igreja. O ambiente em casa sempre foi um ambiente que respirava livros e igreja.

A primeira lembrança que Mark tem a respeito dos livros é de uma foto que mostra sua mãe lendo para os quatro filhos. Ele também se recorda do pai lendo As crônicas de Nárnia, de C.S. Lewis. Mas foi durante uma das muitas viagens de navio entre os EUA e o Brasil que Mark viu uma grande oportunidade. Seu pai começou a ler para os filhos As aventuras de Tom Sawyer, do escritor americano Mark Twain. Durante dias ele leu a aventura de uma menina que se perdeu em uma caverna. Então, simplesmente falou para seu filho: “Mark, se você quiser saber o final desse livro, você terá que ler por conta própria”. Mark ficou desolado, pois sempre lia, mas nunca algo tão grande como esse livro. “Faltavam umas 200 páginas e eu sabia que não teria condições. Mas fui lendo um capítulo, depois mais um e quando percebi, já tinha terminado o livro inteiro”.

A partir dali, percebeu que não precisaria mais dos pais para seguir com suas leituras. Entrou na biblioteca da escola e leu prateleira por prateleira até ter lido todos os livros da biblioteca. Aos dez anos, sua professora pediu que cada aluno escrevesse um conto e apresentasse aos pais e docentes da escola. Ao chegar na sua vez, Mark percebeu que seu público reagia com entusiasmo a cada frase lida. Foi naquele momento que ele decidiu que seria um escritor.

Durante sua vida escolar, escolheu cursos eletivos sempre voltados para o mundo literário. Ao voltar para os EUA, ingressou na universidade e se formou em Comunicação, Literatura e Jornalismo. Durante três anos, trabalhou como repórter em uma editora de revistas de atualidade, que falava sobre restaurantes, shows e personalidades. Após esse período, começou a trabalhar em uma editora de revistas cristãs até começar a trabalhar na Tyndale House, famosa editora cristã, onde ganhou muita experiência como Editor. Casado com Lauren, recebeu um convite de Peter Cunliffe, fundador da Editora Mundo Cristão, criada em 1965 aqui no Brasil, para voltar ao país e começar a trabalhar com ele na Editora. Sua esposa o incentivou a voltar ao Brasil e, em 1985, os dois chegaram em São Paulo para trabalhar na Editora como Diretor Executivo, que naquela época, possuía apenas 3 funcionários. Durante quatro meses recebeu treinamento do próprio Peter, que tinha um caderninho onde anotava tudo o que era importante para Mark. Peter e sua esposa se mudaram para Paris e Mark se tornou a cabeça central da Editora Mundo Cristão. Durante trinta e três anos, tem trabalhado duro e tem visto a Editora crescer.

Assista à entrevista completa com o Dr. J. Scott Horrell em nosso canal do YouTube.

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O autor indicado

Shusaku Endo

Nascido na cidade de Tóquio em 1923, Shusaku Endo se dedicou à escrita por mais de trinta anos. Ficou conhecido por colocar sua perspectiva japonesa e católica em suas obras. É considerado um dos maiores autores pós-guerra, juntamente com Junnosuke Yoshiyuki, Shotaro Yasuoka, Junzo Shono, Hiroyuki Agawa, Ayako Sono e Shumon Miura, constituindo a “Terceira Geração” de escritores japoneses após a segunda grande guerra. Ainda pequeno, se mudou com os pais para Manchúria, na China, mas voltou para o Japão em 1933 juntamente com sua mãe, após o divórcio dos pais. Foi nessa época que sua mãe se converteu ao catolicismo, criando o filho como católico romano. Endo foi batizado na Igreja Católica Romana em 1934, entre os 11, 12 anos e recebeu o nome cristão de Paul.

Começou a estudar na Universidade de Keio em 1943, mas precisou interromper seus estudos por causa da guerra. Então começou a trabalhar em uma fábrica de munições. Durante esse período, contribuiu para revistas literárias. Estudou Literatura francesa na Universidade de Lyon de 1950 até 1953. Em 1968, se tornou editor na Mita Bungaku, uma revista literária japonesa criada em 1910 pela Universidade de Keio.

Em 1954, ganhou o Prêmio Akutagawa por Shiroi Hito (Homens Brancos). Em 1955 se casou com Okada Junko e, em 1956, tiveram um filho, Ryūnosuke.

Seus romances refletem muitas das sua experiências enquanto menino. Dentre elas, o estigma de ser um forasteiro, a experiência de ser estrangeiro, a vida de um paciente num hospital e a luta contra a tuberculose. A sua fé católica pode ser vista de modo refletido, e é uma das suas características principais. A maioria das suas personagens lutam contra complexos dilemas morais e as suas escolhas, muitas vezes, provocam resultados trágicos.

Aos 10 anos, Endo descobriu que, quando o seu pai levava a si e ao seu irmão para brincar no parque, aproveitava para se encontrar com uma amante. Protegendo o segredo do pai, Endo se sentia um traidor.

Mais tarde, depois do divórcio dos seus pais, esse sentimento só piorou quando ele precisou se mudar da casa da mãe para a do pai, atingindo o ápice quando sua mãe morreu sem que ele estivesse junto dela. Ainda há a história de seu cachorro de estimação, Negro, que ficou para trás quando sua família se mudou da Manchúria, na China, para o Japão.

Reconhecido como um dos mais brilhantes romancistas do século XX, Shusaku decidiu continuar seus estudos no Ocidente, onde acabou conhecendo uma forte discriminação racial e a doença. Isso fez com que colocasse sua fé em dúvida e, antes de voltar para o Japão, foi para a Palestina pesquisar sobre a vida de Jesus Cristo.

Sua simpatia não estava entre os crentes que têm a certeza da sua fé, mas sim entre os crentes que nunca pararam de questionar. Neste sentido, a apostasia — o ato de negar a fé cristã e, consequentemente, a existência do Espírito Santo, o pecado mortal, de acordo com o próprio Jesus — foi o eixo de sua problemática romanesca como católico praticante, japonês e, principalmente, escritor.

Uma viagem que transformou a sua percepção do cristianismo; levando-o à conclusão de que Cristo também havia conhecido a rejeição. Ao retornar ao Japão, usou essas experiências em suas obras, que passaram a questionar o passado histórico em contraste com o mundo moderno, explorando os dilemas existentes entre Ocidente e Oriente, fé e descrença, tradição e modernidade. Em sua vasta obra, além de O Silêncio podemos destacar Escândalo e O Samurai.

A obra indicada

O Silêncio é a história ficcional — mas baseada em fatos — de um missionário idealista, o jesuíta português Sebastião Rodrigues. No fim da década de 1630, ele embarca para o Japão para ajudar os cristãos locais, brutalmente oprimidos, e descobre a verdade sobre seu antigo mentor, um teólogo que, segundo os rumores, teria recusado o “martírio glorioso” e escolhido a apostasia. Rodrigues, depois de confrontado com a realidade da perseguição religiosa, tem, ele mesmo, de fazer a escolha de abandonar seu rebanho ou seu Deus.

Personagens principais:

  • Sebastião Rodrigues: o padre jesuíta que é protagonista de boa parte do livro.
  • Francisco Garupe: padre jesuíta que viaja ao Japão com Rodrigues.
  • Kichijiro: um cristão japonês atormentado que acompanha os dois padres e os trai em diversas ocasiões.
  • Cristovão Ferreira: padre que partiu para o Japão há muitos anos e que não dá mais notícias; a única informação nova é de que cometeu apostasia.
  • Inoue: inquisidor japonês decidido a impedir o avanço do Cristianismo no Japão.

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Veio junto na rede

“Minha vida parou. Eu podia respirar, comer, beber, dormir, porque não podia ficar sem respirar, sem comer, sem beber, sem dormir; mas não existia vida, porque não existiam desejos cuja satisfação eu considerasse razoável. Se eu desejava algo, sabia de antemão que, satisfizesse ou não meu desejo, aquilo não daria em nada.” — Liev Tolstói —

Uma confissão registra a intensa crise de fé de Tolstói quando, em 1879, já tendo escrito duas das mais aclamadas obras da literatura universal, Guerra e Paz e Anna Kariênina, ele se questiona sobre o sentido da vida e é confrontado com sentimentos suicidas.

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O peregrino é uma narrativa cheia de emoção e suspense. Bunyan relata a viagem de Cristão, um peregrino espiritualmente abatido que viaja rumo à Cidade Celestial. No decorrer da aventura, ele se encontra com personagens de carne e osso, mas que possuem nomes alegóricos, tais como Evangelista, Adulação, Malícia, Apoliom e Vigilância. Passa por lugares sombrios e medonhos, como o Desfiladeiro do Desespero, o Pântano da Desconfiança, a Feira das Vaidades e o Rio da Morte. Surge em cada encruzilhada um novo desafio que ameaça sua chegada ao destino final. O enredo mescla-se à interpretação simbólica, e o resultado é uma incrível experiência literária e espiritual.

O peregrino é a maior obra de ficção na história do cristianismo. Para milhões de leitores, a história de Cristão serve como supremo modelo de perseverança.

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