Kit de março de 2018

O peixe grande

C. S. Lewis

Clive Staples Lewis, ou simplesmente conhecido como C. S. Lewis, era filho do advogado Albert James Lewis e da dona de casa Florence Augusta Lewis e irmão caçula do químico Warren Lewis. Foi um professor universitário, escritor, romancista, poeta, crítico literário, ensaísta e apologista cristão britânico. Durante sua carreira acadêmica, foi professor e membro do Magdalen College, tanto da Universidade de Oxford como da Universidade de Cambridge. Ficou famoso por suas obras envolvendo a apologia cristã, incluindo O Problema do Sofrimento (1940), Milagres (1947) e Cristianismo Puro e Simples (1952), além das obras de ficção e fantasia, sendo a mais famosa as aventuras de quatro irmãos em As Crônicas de Nárnia (1950-1956), Cartas de um diabo a seu aprendiz (1942) e Trilogia Cósmica (1938-1945).

Foi também um respeitado estudioso da literatura medieval e renascentista, tendo produzido alguns dos mais renomados trabalhos acadêmicos envolvendo esses temas no século XX. Amigo íntimo do também escritor e professor britânico J. R. R. Tolkien (1892-1973), serviu com ele como membro do corpo docente da Faculdade de Língua Inglesa da Universidade de Oxford e liderou o grupo informal de discussão e colaboração literária The Inklings. Lewis contribuiu e muito para a existência de O Senhor dos Anéis, além de ter sido um dos primeiros a ler O Hobbit. Lewis e Tolkien foram grandes amigos durante muitos anos, até a morte de Lewis, e essa amizade foi explorada no livro O Dom da Amizade: Tolkien e C. S. Lewis. Tolkien jamais deixou de admirar a grande inteligência e criatividade do amigo e vice-versa.

Apesar de ter sido criado ao longo da infância dentro das tradições da Igreja da Irlanda, Lewis se tornou um ateu convicto na época de sua adolescência, seguindo essa linha de convicção pessoal até o início de sua idade adulta, quando, por intermédio de Tolkien, voltou a professar a fé cristã no início da década de 1930, tornando-se um árduo defensor do cristianismo até o fim de sua vida e carreira. Dedicou-se a defendê-la e permaneceu na Igreja Anglicana. Tornou-se popular durante a Segunda Guerra Mundial por suas palestras transmitidas pela rádio e por seus escritos, sendo chamado de “apóstolo dos céticos”, especialmente nos Estados Unidos.

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O autor indicado

T. S. Eliot

Thomas Stearns Eliot nasceu em Saint Louis, Missouri, nos Estados Unidos; o mais novo de sete filhos.

Sua família veio do nordeste americano, conhecido como Nova Inglaterra. A Nova Inglaterra era, na época, o centro cultural e ideológico do país, ainda mais depois da derrota do sul na Guerra. E Eliot descendia de duas das famílias mais tradicionais da elite nova inglesa, denominada “brâmanes”. Ele era parente distante do ex-presidente John Quincy Adams. Seu avô, que Tom não conheceu, mudou-se para Saint Louis com o intuito de levar a cultura e a educação nova inglesa para lá. Ele até fundou a Washington University.

A família de Eliot também era tradicional em sua religião: pertenciam à Igreja Unitariana e seu avô paterno foi fundador e pastor da Unitarian Church of the Messiah em Saint Louis.

Eliot foi educado na Smith Academy, onde estudou latim, grego, a história grega, romana, inglesa e americana, além de matemática elementar, francês, alemão e inglês. Em 1906 ele foi para Harvard College em Boston, na Nova Inglaterra, onde formou-se bacharel em 1909.

Depois do bacharel, Eliot cursou o mestrado de 1909 a 1910 em Harvard. De outubro de 1910 a julho de 1911 ele estudou literatura francesa e filosofia na Universidade de Paris no Sorbonne. Após uma breve estadia em Munique, retornou a Harvard onde continuou seus estudos de 1911 a 1914. Seu foco acadêmico foi estudos índicos e filosofia. Em 1914 conseguiu uma bolsa em Marburgo, na Alemanha, mas mudou-se para a Inglaterra quando a Primeira Guerra Mundial começou.

Em Oxford, estudou filosofia grega na Merton College entre 1914 e 1915. Eliot completou sua tese de doutorado sobre Francis Herbert Bradley, um filósofo idealista, em 1916, mas não retornou a Harvard para defendê-la e, portanto, não se formou doutor. Foi neste período que ele abandonou sua carreira de acadêmico, contrariando sua mãe e surpreendendo seus professores e amigos em Harvard, para os quais ele era um dos jovens intelectuais mais promissores no horizonte.

Em 1921, foi para Lausanne, Suíça, onde completou sua obra prima, “The Waste Land”. Este poema, publicado em 1922, consolidou sua fama de poeta e sua posição no mundo das letras.

Em 1925, começou a trabalhar na editora Faber & Faber, como diretor. Em outubro de 1922 ele havia fundado um jornal de reviews literários, The Criterion. Este jornal, que saia trimestralmente, junto com sua posição na Faber & Faber, deu a Eliot uma plataforma privilegiada para lançar novos talentos, escrever ensaios e influenciar o mundo cultural entre as Guerras Mundiais. O jornal fechou em janeiro de 1939.

Durante o período da publicação de The Waste Land, Eliot ainda sofreu sua peregrinação espiritual. Ele estava buscando no budismo e no cristianismo o que os filósofos e intelectuais de sua era não podiam lhe dar. Seus poemas até o momento refletiam a ideia de que o mundo estava em caos, a civilização ocidental estava desmoronando e que havia uma necessidade urgente de uma regeneração. Esta peregrinação chegou ao fim quando foi batizado na Igreja Anglicana, em 1927. Neste mesmo ano, Eliot tornou-se um cidadão britânico.

Suas obras, daí em diante, refletiram sua fé cristã. Em novembro de 1928, publicou um livro de ensaios intitulado For Lancelot Andrewes. No prefácio, declarou-se um classicista na literatura, um defensor da monarquia (royalist) na política e um anglo-católico na religião. Além de ensaios, críticas literárias e poemas, escreveu peças de teatro bem recebidas. Eliot faleceu em janeiro de 1965 em Kensington, Londres.

A obra indicada

Conhecemos o Eliot poeta, mas em A Ideia de uma Sociedade Cristã, podemos apreciar a obra ensaística do grande escritor norte-americano que se ocupa de uma temática particular: o que tem a fé cristã a dizer sobre aspectos como a sociedade e a política? As conferências que T. S. Eliot apresentou em Cambridge, em março de 1939, e publicou sob o título A Ideia de uma Sociedade Cristã, estão no campo da crítica social. Eliot não endossa “qualquer forma política particular”; defende apenas “qualquer Estado que seja adequado para uma Sociedade Cristã”. Também não defende um Estado “em que os mandatários fossem escolhidos em virtude de suas qualificações e menos ainda de sua eminência como cristãos”. O cristianismo não deve ser imposto ao povo pelo governo; pelo contrário, o “temperamento e as tradições do povo” devem ser suficientemente cristãos para impor aos políticos “uma estrutura cristã na qual seja possível realizar suas ambições e fazer avançar a prosperidade e o prestígio de seu país”.

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Veio junto na rede

A Abolição do Homem é um livro de C. S. Lewis em que o autor elabora uma defesa do conceito de valor objetivo e da lei natural, alertando para as consequências da perda desses conceitos. Lewis defende a ciência como algo a ser legitimamente buscado, porém condena a eliminação de valores por meio desta. O livro é dividido entre Apêndice, Homens sem peito, O caminho, e, por fim, A abolição do homem.

Em sua obra Lewis defende a teoria de que, a abolição do homem na verdade começa pela evolução do homem, e de que, apesar evoluir em ciência o homem sempre estará submetido a uma autoridade anterior, contribuindo assim para o seu próprio fim. A obra também aborda, assim como em outras obras do autor, assuntos concernentes à Lei Natural, se referindo à mesma como “Tao”, termo que C. S. Lewis usou para englobar o conjunto de princípios morais de civilizações, culturas e filosofias que mesmo fora do cristianismo também possuem influência da chamada Lei da Natureza Humana ou Lei da Moral, segundo a filosofia.

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